terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mal acostumada

Sempre teve os melhores partidos. E os piores também... A bem dizer, a verdade é que tinha todos. De menina já era dada aos extremos, e aos exageros. Começou cedo, e nunca foi de ciúmes. Apaixonou-se inúmeras vezes, completa e loucamente por cada um deles, porém não tanto quanto fez alguns se apaixonarem por ela. Nem nunca perdidamente. E assim, sucessivamente, trocando um pelo próximo, como quem troca de sapatos, e vez outra saía com "um pé de cada". Sofria. Menos do que achava, mais do que fingia. E sem querer (ou não), fazia sofrer também... Queria saber até onde iam por ela, por curiosidade, ou só para saber que estavam lá esperando, enquanto ela resolvia se desfazer deles... testou um por um, optou por nenhum. Ou por um mais um. Esperou por um que optasse por ela - só. Encontrou. Mas depois, encontrou outro, e outro, e outro... Esperava deles o que não lhes dava. Exigia. Ganhava. Encontrava no movimento, na fluidez do jogo a satisfação, e assim sentia-se viva. Nuca quis, de fato, fazer mal a nenhum. Fez até muito bem para alguns, que ainda não descobriram... Não tinha também a intenção de jogar com eles. O jogo era dela. Ela fazia as regras, dava as cartas e determinava quando a partida chegava ao fim. Mesmo que às vezes se esqucesse de avisar, enquanto deixava que continuassem tentando... e ria, se divertia com as propostas malucas que ouvia... Não acreditava como era fácil fazer acreditarem nela. Não entendia como podiam levá-la a sério! Fazia com os homens o que sempre ouviu dizer que eles fazem com as mulheres. Devolvia-lhes o que eventualmente poderiam ter feito com outras, ou antecipava o que viriam a fazer um dia. Que ela nunca soube como era. Nunca esteve do outro lado... Sorte a dela!
Mal acostumada...



"Pobre de quem não entendeu
que a beleza de amar é se dar
e só querendo pedir nunca soube o que é perder prá encontrar..."


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