domingo, 16 de janeiro de 2011
entre(tempo(rais)
um sol suave,
quase fresco...
asfalto quente,
e enfim, seco!
silêncio duro
feito o chão
feito o tempo
no corpo que muda
numa folha que cai
assim, quase úmida,
outra tarde se vai...
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Chovem duas chuvas
Chovem duas chuvas:
de água e de jasmins
por estes jardins
de flores e de nuvens.
Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins,
de flores e chuvas.
E os jasmins são chuvas
e as chuvas, jasmins,
por estes jardins
de perfume e nuvens
(Cecília Meireles)
de água e de jasmins
por estes jardins
de flores e de nuvens.
Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins,
de flores e chuvas.
E os jasmins são chuvas
e as chuvas, jasmins,
por estes jardins
de perfume e nuvens
(Cecília Meireles)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
FATAL
"Os moços tão bonitos me doem,
impertinentes como limões novos.
Eu pareço uma atriz em decadência,
mas, como sei disso, o que sou
é uma mulher com um radar poderoso.
Por isso, quando eles não me vêem
como se dissessem: acomoda-te no teu galho,
eu penso: bonitos como potros. Não me servem.
Vou esperar que ganhem indecisão. E espero.
Quando cuidam que não,
estão todos no meu bolso."
(Adélia Luzia Prado Freitas)
Exausto
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
(Adélia Prado in "Bagagem")
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
(Adélia Prado in "Bagagem")
Da Morte
Se eu soubesse
Te tomaria
E então descansarias.
Se sussurrares
Te prometo, morte,
Se me tocares,
Ao invés de Morte
Teu nome verdadeiro
Te tomaria
Úmida, tênue
E então descansarias.
Se sussurrares
Teu nome secreto
Nos meus caminhos
Entre a vida e o sono
Te prometo, morte,
A vida de um poeta.
A minha: Palavras vivas, fogo, fonte.
Se me tocares,
Amantíssima, branda
Como fui tocada pelos homens
Ao invés de Morte
Te chamo
Poesia
Fogo, Fonte, Palavra viva
Sorte.
(Hilda Hilst)
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
do Amor
Este estranho, que vivo procurando, tempos afora, noites adentro. Este velho conhecido distante, que eu nunca alcanço, pois estou sempre olhando à frente, enquanto ele me persegue. Acho que é ele, o Amor, que me acorda todas as manhãs com o mesmo encanto da primeira, e ainda serve meu café na cama depois do meio dia. E nas noites muito quietas, quando não durmo, me faz companhia em silêncio. E não enxuga minhas lágrimas nem pede que eu não as derrame. Me aceita, com lágrimas e tudo, de onde quer que elas venham. E de alguma forma, me adormece. Que é tão fácil, que eu descreio, e recuso. E de tão simples, eu torno confuso. O Amor... que eu busco sabendo já me encontrou, que ainda espero que venha seja lá de onde for, e que chegue e se anuncie. Então, quem sabe, eu ainda duvide. E continue minha caçada solitária e sem presa. Na eterna espreita de alvo que queria ser flecha.
que o meu amor não tem tempo
embora às vezes passe da hora
que o meu amor não tem tempo
embora às vezes passe da hora
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