quinta-feira, 24 de julho de 2014
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Petición
que estoy desnuda;
que estoy como ciudad
-deshabitada-
sorda de ruidos,
tiritando de trinos,
reseca hoja quebradiza de marzo.
Rodéame de gozo
que no nací para estar triste
y la tristeza me queda floja
como ropa que no me pertenece.
Quiero encenderme de nuevo
olvidarme del sabor salado de las lágrimas
-los huecos en los lirios,
la golondrina muerta en el balcón-.
Volver a refrescarme de brisa risa,
reventada ola
mar sobre las peñas de mi infancia,
astro en las manos,
linterna eterna del camino hacia el espejo
donde volver a mirarme
de cuerpo entero,
protegida,
tomada de la mano,
de la luz,
de grama verde y volcanes;
lleno mi pelo de gorriones,
dedos reventando en mariposas,
el aire enredado en mis dientes,
retornando a su orden
de universo habitado por centauros.
Vestime de amor
que estoy desnuda.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
depois da perda
o alimento da minha alma
meu alento
meu sustento
minha sorte
o meu amor
a cura da minha dor
maior que eu
minha alegria
meu despertar
de cada dia
o meu medo da morte...
(28/01/14)
conserta-se coração partido
eu quase posso ouvir
o descompasso do teu coração
quase sinto o vazio te engolindo...
é isso mesmo,
eu remendo teu coração partido
e em troca, não precisa nada
nem devolver o pedaço do meu...
vem, te achega, aninha em mim
cola aqui teu peito, e cala
escuta...
percebe como bate um coração
cansado, partido, remendado, novo
bate ainda mais forte
funciona direitinho, eu garanto!
e digo mais:
é capaz até, de se deixar despedaçar outra vez
e outras tantas mais!
mas aí não é comigo...
tem aqui um colo e um calor
(e ainda um tanto do meu amor, que é teu)
se quiser...
domingo, 10 de novembro de 2013
dos olhos meus
Em seus olhos, eu vejo os céus.
Por que procurar outra lua?
Ou um outro dom?
O que eu vejo sempre será suficiente para mim".
Rumi
(Btc)
sábado, 9 de novembro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
amanhã eu caso
hoje eu varro a casa
os restos
de amores desperdiçados
cacos de casos
tudo que não foi dele
nem meu
tudo o que não foi
porque amanhã, eu caso
sem véu
sem vestido
e sem o peso do passado
e amanhã, eu caso
e fim de caso.
e deve chover...
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
ODA A LA MUJER IMPERFECTA
Las mujeres imperfectas se rodean de hombres imperfectos,
Las mujeres imperfectas aprenden a sentir la menstruación
Las mujeres imperfectas levantan la voz por la femineidad muda en justicia y en derechos,
En sus vientres traen un canto antiguo y una esperanza gestante. Vienen pariendo estrellas a este tiempo tan hambriento de luz.
Las mujeres imperfectas dicen bien alto que no tienen miedo, caminan sin temor y sin amnesia por un mundo lleno de miedo a las mujeres sin miedo.
Las mujeres imperfectas no son propiedad de nadie más que de sí mismas, no forman parte del masculino genérico, ni son costilla de nadie, ni objeto de deseo, ni son invisibles. Son mujeres y quieren ser nombradas como tal.
Las mujeres imperfectas son increíblemente perfectas cuando se atreven a ser imperfectas, cuando se atreven a ser quien las dé la gana ser, cuando se atreven a ser, sin más ni menos, a ser.
Las mujeres imperfectas comienzan a sentir la llamada, a reencontrarse con otras mujeres imperfectas donde se recuerdan todo aquello que el alma no debe olvidar.
Se recuerdan que no están solas, que nunca lo estuvieron; que nunca lo estarán.
Porque ser imperfectas las hace únicas, ser imperfectas las hace, al mundo, a ellos y a ellas, LIBRES.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
de tudo que não foi
das linhas que não li
e das tantas que escrevi
de todas frases que pensei
e das palavras que engoli
das imagens que esqueçi
das que ainda inventarei...
quinta-feira, 23 de maio de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
do sangue...
que sempre achou bonito
menstruar.
Os homens vertem sangue
por doença
sangria
ou por punhal cravado,
rubra urgência
a estancar
trancar
no escuro emaranhado
das artérias.
Em nós
o sangue aflora
como fonte
no côncavo do corpo
olho-d’água escarlate
encharcado cetim
que escorre
em fio.
Nosso sangue se dá
de mão beijada
se entrega ao tempo
como chuva ou vento.
O sangue masculino
tinge as armas e
o mar
empapa o chão
dos campos de batalha
respinga nas bandeiras
mancha a história.
O nosso vai colhido
em brancos panos
escorre sobre as coxas
benze o leito
manso sangrar sem grito
que anuncia
a ciranda da fêmea.
Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar.
Pois há um sangue
que corre para a Morte.
E o nosso
que se entrega para a Lua
(Marina Colasanti)
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Loca de Atar
Myriam Moya Ten
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Las trece cualidades
Las ancianas son atrevidas
Las ancianas tienen mano para las plantas
Las ancianas meditan a su manera
Las ancianas defienden con fiereza lo que más les importa
Las ancianas deciden su camino con el corazón
Las ancianas dicen la verdad con compasión
Las ancianas escuchan su cuerpo
Las ancianas improvisan
Las ancianas no imploran
Las ancianas se ríen juntas
Las ancianas saborean lo positivo de la vida "
LAS BRUJAS NO SE QUEJAN - Jean Shinoda Bolen
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Maya
de que toda matéria é energia
quinta-feira, 5 de julho de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Carta de Amor
Não mexe comigo, que eu não ando só,
eu não ando só… eu não ando só.
Não mexe não…
Não mexe comigo, que eu não ando só,
eu não ando só… eu não ando só.Eu tenho Zumbi, Besouro,
o chefe dos Tupis,
sou Tupinambá.
Tenho os Erês, caboclo boiadeiro,
mãos de cura.
Morubixaba, cocares, arco iris,
zarabatanas, curare, flechas e altares.
A velocidade da luz, o escuro da mata escura,
o breu, silêncio…
a espera.Eu tenho Jesus, Maria e José
todos os pajés em minha companhia.
O menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos,
o poeta me contou.Não mexe comigo, que eu não ando só,
eu não ando só… eu não ando só.Não misturo, não me dobro.
A Rainha do Mar anda de mãos dadas comigo,
Ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim.
É do ouro de Oxum
que é feita a armadura que guarda o meu corpo,
garante o meu sangue, a minha garganta.
O veneno do mal não acha passagem.
Em meu coração, Maria acende sua luz
e me aponta o caminho.Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã
giro o mundo,
viro, reviro,
Tô no Reconcavo, to em Fez.
Voo entre as estrelas, brinco de ser uma,
traço o cruzeiro do sul com a tocha da fogueira de João Menino
Rezo com as três marias.
Vou além,
me recolho no esplendor das nebulosas,
descanso nos vales, montanhas.
Durmo na forja de Ogum.
Mergulho no calor das lavas dos vulcões,
corpo vivo de Xangô.Não ando no breu,
nem ando na treva,
é por onde eu vou que o Santo me leva…Medo não me alcança,
no deserto me acho.
Faço cobra morder o rabo,
escorpião virar pirilampo.
Meus pés recebem balsamos,
unguentos suaves das mão de Maria,
irmã de Marta e Lázaro
no oásis de Bethania.Pensou que ando só,
atente ao tempo
não começa, nem termina:
é nunca, é sempre!
É tempo de reparar na balança de nobre cobre
que o rei equilibra
fulmina o injusto, deixa nua a justiça.Eu não provo do teu fel,
eu não piso no teu chão,
e pra onde você for, não leva o meu nome não…Onde vai, valente?
Você secou, seus olhos insones secaram
não vêem brotar a relva que cresce livre, verde
longe da tua cegueira.
Seus ouvidos se fecharam a qualquer música,
a qualquer som.
Nem o bem, nem o mal pensam em ti.
Ninguém te escolhe,
você pisa na terra mas não a sente,
apenas pisa,
apensa vaga sobre o planeta.
E já nem ouve as teclas do teu piano.
Você está tão mirrado que nem o Diabo te ambiciona,
não tem alma,
você é o oco do oco do oco do sem fim do mundo.O que é teu já tá guardado,
não sou eu que vou lhe dar…Eu posso engolir você,
só pra cuspir depois.
Minha fome é matéria que você não alcança.
Desde o leite do peito de minha mãe
até o sem fim dos versos, versos, versos…
que brotam no poeta, em toda poesia
sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi.
Se choro, quando choro e minha lagrima cai
é pra regar o capim que alimenta a vida.
Chorando eu refaço as nascentes que você secou.
Se desejo, o meu desejo faz subir marés
de sal e sortilégio.Vivo de cara para o vento, na chuva
e quero me molhar.
O terço de Fátima e o cordão de Gandhi cruzam meu peito.
Sou como haste fina,
que qualquer brisa verga,
mas nenhuma espada corta.Não mexe comigo, que eu não ando só,
eu não ando só… eu não ando só.
(Maria Bethânia)
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
"e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim"

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."



