urgência, precipitação...
mais uma vez o ar,
quem me dá a direção
- que veio agora soprar?
e da escrita que urge,
o que cada letra esconde?
cada palavra que surge
e se perde, vai pra onde?
(não importa qual questão
o vento nunca responde:
- vem de sopro a solução)
não mais caio em aflição:
- vento, és meu caminho,
flutuo leve, sem direção!
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sábado, 27 de novembro de 2010
o soneto que não queria ser escrito
O poema que eu guardava no peito
Cujas palavras sempre davam defeito
Que nunca esperava ser escrito
Hoje escapa como que um grito
Os versos que ficavam sem rima
Formaram pares com a linha de cima
Das rosas tirei todos espinhos
E do vento fiz meu caminho
Enquanto cai o fim da tarde
Escorre um verso que me arde
E quando o sol finalmente se deita
Percebo a morte à minha espreita
Mas a lua se levanta
E minha'lma ainda canta...
sexta-feira, 9 de julho de 2010
a night flight sonnet
I invite you to join me tonight
if you come, be welcome,
to a dream's night flight
the darkness, our home
you've better stretch your wings
to stay by my side
because there are some things
that shadows use to hide
my owl's eyes can see too far
and also through the smoke
are you able to believe?
don't be afraid of what we are
just feel the wind's stroke
everytime that you breath
if you come, be welcome,
to a dream's night flight
the darkness, our home
you've better stretch your wings
to stay by my side
because there are some things
that shadows use to hide
my owl's eyes can see too far
and also through the smoke
are you able to believe?
don't be afraid of what we are
just feel the wind's stroke
everytime that you breath
domingo, 16 de maio de 2010
sonetinho sob medida (do "soneto dele")
Fiz um soneto encomendado,
quase-quase, improvisado
Pra ser lido no dia seguinte,
tendo o suspense como requinte
Versos fluidos, sob medida,
para uma noite sem saída
Com direito a rascunho,
escrito a próprio punho!
As linhas que desenhei pra ele
e chamei de "o soneto dele"
Se ele gostou, isso eu não sei...
Mas o caminho escrito eu deixei...
Pra quando eu esquecer, poder lembrar
E pra quando ele sumir, quem sabe, voltar...
quase-quase, improvisado
Pra ser lido no dia seguinte,
tendo o suspense como requinte
Versos fluidos, sob medida,
para uma noite sem saída
Com direito a rascunho,
escrito a próprio punho!
As linhas que desenhei pra ele
e chamei de "o soneto dele"
Se ele gostou, isso eu não sei...
Mas o caminho escrito eu deixei...
Pra quando eu esquecer, poder lembrar
E pra quando ele sumir, quem sabe, voltar...
quinta-feira, 13 de maio de 2010
soneto de lua nova atrasada
lua nova que atrasou
custou a chegar e veio
e a menina acordou no meio
quando a luz do céu apagou
sonho velho que voltou
envolto em névoa e enleio
trazendo volta todo anseio
da menina que sonhou
noite escura, pra sonhar
intento puro sem mesura
ela dorme para lembrar
a sombra de cada figura
não tem medo de ensonhar
sempre encontra o que procura
custou a chegar e veio
e a menina acordou no meio
quando a luz do céu apagou
sonho velho que voltou
envolto em névoa e enleio
trazendo volta todo anseio
da menina que sonhou
noite escura, pra sonhar
intento puro sem mesura
ela dorme para lembrar
a sombra de cada figura
não tem medo de ensonhar
sempre encontra o que procura
segunda-feira, 19 de abril de 2010
o soneto que ainda espera, mas só até essa noite...
Pense bem, aventureiro,
Que já não posso mais com você...
Hoje tem gira no meu terreiro
É dia de festa lá no Ilê
Um caboclo sem nome nem rumo
Só espera chegar o anoitecer
Pra me pôr de volta no prumo
Cortar caminho pra te esquecer
Antes disso, não desito:
Deixo aqui esse registro,
Quem sabe você não lê?
Se não quiser virar memória,
Ou capricha nessa história
Ou nunca mais vai me ver!
Que já não posso mais com você...
Hoje tem gira no meu terreiro
É dia de festa lá no Ilê
Um caboclo sem nome nem rumo
Só espera chegar o anoitecer
Pra me pôr de volta no prumo
Cortar caminho pra te esquecer
Antes disso, não desito:
Deixo aqui esse registro,
Quem sabe você não lê?
Se não quiser virar memória,
Ou capricha nessa história
Ou nunca mais vai me ver!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
o soneto "fora de hora"
ele, que não dormia nos meus versos
a prosa que jurei nunca mais escrever
as rimas que tanto tentei esquecer
que me narrava em contos dispersos...
que rumo será que tomou?
que agora está em toda parte
onde eu olho, vejo sua arte
e ele longe, onde não vou
e eu que tinha esquecido
das músicas ao pé do ouvido
ligo o som, e hoje ele canta
e o que já estava entendido,
mão do jogo dado por perdido
admito, ainda me encanta...
a prosa que jurei nunca mais escrever
as rimas que tanto tentei esquecer
que me narrava em contos dispersos...
que rumo será que tomou?
que agora está em toda parte
onde eu olho, vejo sua arte
e ele longe, onde não vou
e eu que tinha esquecido
das músicas ao pé do ouvido
ligo o som, e hoje ele canta
e o que já estava entendido,
mão do jogo dado por perdido
admito, ainda me encanta...
porque quando olhei no relógio esqueci da hora...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Livreiro que tudo sabes,
disseste "a sorte está lançada"
Mas será que tua ou minha?
Saberás ao fim da estrada...
Aposte, e apostarei,
quem ganhar não perde nada
e quem perder aposta de novo...
até que a aposta fique empatada!
Aposte que voltarei,
(en)sonho de madrugada...
E deixe a janela aberta,
chegarei na hora errada...
Espere, e saberei...
que agora ainda não sei nada.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
o soneto voador II
essa noite ele voou!
simples assim!
disse: "eu vou"
e voou para mim
ensonho, não por acaso
esperei e ele veio
e profundo, mas tão raso
despertei ainda no meio
do que escrevo ele não sabe
mas conhece o que procuro
ponte invisível que desabe
espere por mim no escuro
encanto que não se acabe
infinito, de tão puro...
simples assim!
disse: "eu vou"
e voou para mim
ensonho, não por acaso
esperei e ele veio
e profundo, mas tão raso
despertei ainda no meio
do que escrevo ele não sabe
mas conhece o que procuro
ponte invisível que desabe
espere por mim no escuro
encanto que não se acabe
infinito, de tão puro...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
o "quase nada"
ele escreve em mil desenhos
a expressão do que não sente
e no fim de tantos meios
não diz nada, e sei que mente
desenhando em poemas curvos
de linhas tortas e frases abertas
palavras soltas, sentidos turvos
versos livres de rimas incertas
e eu ainda sonho os rabiscos dele
vez ou outra, de madrugada
muito pouco, ou quase nada
e ele não dorme nos versos meus
e ainda passeia por onde eu ando
nas entrelinhas nos desencontrando...
a expressão do que não sente
e no fim de tantos meios
não diz nada, e sei que mente
desenhando em poemas curvos
de linhas tortas e frases abertas
palavras soltas, sentidos turvos
versos livres de rimas incertas
e eu ainda sonho os rabiscos dele
vez ou outra, de madrugada
muito pouco, ou quase nada
e ele não dorme nos versos meus
e ainda passeia por onde eu ando
nas entrelinhas nos desencontrando...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
o que é o que é ?
que tanto ela insiste e ainda procura?
será que não vê que já encontrou?
se quis e não teve, será que buscou?
que mais é tão dela, além da loucura?
que tanto ela inventa que não satisfaz?
que sede infinita, quanta ansiedade...
que ânsia esquisita, que tanta vaidade...
que é que ela espera e o vento não traz?
que é muito, e para ela não é o bastante,
que tudo ela faz, e ainda quer mais,
que cada querer é sempre um distante,
quão pouco ela tem que nunca é demais?
e sempre ela almeja o que é inconstante,
esquece ela mesma, que deixou para trás...
...
quinta-feira, 28 de maio de 2009
de fazer chover

Que o céu fique negro!
E raios cortem a escuridão!
Quero ouvir cada timbre,
no som de cada trovão.
Tempestade, me leve embora,
que não quero mais ficar...
Venha buscar-me agora,
que não sei mais esperar...
Chuva de verão atrasada,
de deixar a rua molhada,
de fazer a menina pensar...
E ao fim dessa tarde pesada
dessa água cair derramada
eu possa enfim descansar...
terça-feira, 19 de maio de 2009
Unwritten Stories
Now, that old chains was broken,
and for you, all the gates are open.
Come and bring me your smell...
Take me out from this sweet hell!
Tell her everything I won't tell
Show me why did you come, as well
And there will be no more "I don't knows"
Let the world spin, undress our souls!
And I'll write our late nite tales
Like last autumn's endless night
Say in my words our secret details
Because now, after all these times,
I know that my scenes are still in your head,
and you know that is you, here, in my rhymes.
and for you, all the gates are open.
Come and bring me your smell...
Take me out from this sweet hell!
Tell her everything I won't tell
Show me why did you come, as well
And there will be no more "I don't knows"
Let the world spin, undress our souls!
And I'll write our late nite tales
Like last autumn's endless night
Say in my words our secret details
Because now, after all these times,
I know that my scenes are still in your head,
and you know that is you, here, in my rhymes.
domingo, 17 de maio de 2009
o soneto improvisado
A lua caía, triste, minguando
faltando bem uma metade...
O mar subia, revolto, estourando
cheio de onda, todo vaidade...
Um gato ruivo observando a espuma
de cima d'um toco, hipnotizado...
Soltando a fumaça, perdi na bruma
um soneto pronto, improvisado...
Noite fria, aquela, de outono
Noite vazia, aquela, sem sono
Contei estrelas até ficar dia...
Algumas caíram, e eu peguei!
Não pude dormir, mas sonhei
Madrugada fria na praia vazia...
faltando bem uma metade...
O mar subia, revolto, estourando
cheio de onda, todo vaidade...
Um gato ruivo observando a espuma
de cima d'um toco, hipnotizado...
Soltando a fumaça, perdi na bruma
um soneto pronto, improvisado...
Noite fria, aquela, de outono
Noite vazia, aquela, sem sono
Contei estrelas até ficar dia...
Algumas caíram, e eu peguei!
Não pude dormir, mas sonhei
Madrugada fria na praia vazia...
sexta-feira, 15 de maio de 2009
o soneto equilibrista

Eis-me agora, no arame.
Equilibrista entre as minhas
duas vidas - sina infame,
me explicando nessas linhas...
Quero estar onde não vou;
Penso muito, então desisto
e sem querer, não me dou.
Balançando, assim existo...
Sou uma grande interrogação,
algum lugar entre o sim e o não,
o nada feito, a escolha nenhuma...
Pássaro que voa sem direção.
Mergulho profundo na escuridão.
A onda que foi, restou só espuma...
quarta-feira, 13 de maio de 2009
soneto da princesa moderna
meu príncipe não tem montaria
vem me ver em nave espacial
do tempo de ensonho, espiral
princesa moderna eu, quem diria!
veio em sonho, me entreter
e eu ardi, numa fissura
e sutilmente, e com doçura
fiz dele ser meu novo querer
o príncipe enlouqueceu!
não sai do meu pensamento
e dentre todo o firmamento
o lugar dele agora sou eu...
príncipe estranho, homem alado
homem de sonho, príncipe encantado
vem me ver em nave espacial
do tempo de ensonho, espiral
princesa moderna eu, quem diria!
veio em sonho, me entreter
e eu ardi, numa fissura
e sutilmente, e com doçura
fiz dele ser meu novo querer
o príncipe enlouqueceu!
não sai do meu pensamento
e dentre todo o firmamento
o lugar dele agora sou eu...
príncipe estranho, homem alado
homem de sonho, príncipe encantado
soneto inesperado
Lua Cheia no céu chamou - e eu saí...
Quis vê-la da rua, não da janela!
Não lembro onde foi que me perdi.
Nem sei se era eu ou se foi ela...
As palavras guardadas, eu que escrevi.
Mas os versos de acender são dela.
Procurei qualquer estrela mas não vi...
E ele, fingindo que não, pensava nela...
Inesperado, veio e ficou, sem dizer nada...
Pensamento dos outros não faz barulho.
Ela mudou de rumo e partiu pra estrada...
E depois, sem entender nada, eu voltei...
Então, ele quis os presentes sem embrulho!
A essa hora ela já sonhava - e eu acordei...
Quis vê-la da rua, não da janela!
Não lembro onde foi que me perdi.
Nem sei se era eu ou se foi ela...
As palavras guardadas, eu que escrevi.
Mas os versos de acender são dela.
Procurei qualquer estrela mas não vi...
E ele, fingindo que não, pensava nela...
Inesperado, veio e ficou, sem dizer nada...
Pensamento dos outros não faz barulho.
Ela mudou de rumo e partiu pra estrada...
E depois, sem entender nada, eu voltei...
Então, ele quis os presentes sem embrulho!
A essa hora ela já sonhava - e eu acordei...
sexta-feira, 1 de maio de 2009
O Quintal de Casa (2 em 1)
Não teve choro nem vela,
fizeram o Quintal de Casa
e hoje ninguém mais brinca
na rua que um dia foi dela.
O Quintal, coitado...
nem é de todo mal...
mas ainda é limitado,
porque ainda é só um quintal.
E vem gente de toda gente
deslizar no Quintal de Casa,
gente presa - e ainda contente!
Lá tem música, dá pra ver a lua...
Mas eu, particularmente,
ainda prefiro brincar na rua!
...
Lá é dentro, e não tem ladeira...
Não esqueço aquele pedaço de asfalto,
Ah... aquilo sim era brincadeira!
Das madrugadas vistas do alto...
Uns e outros, desvairados
Tecendo, rasgando a descida
de adrenalina embriagados,
Ladeira abaixo, sem saída...
Voando, rápidos, livres
Cavando ondas no cimento,
Indo de encontro ao vento...
E era tão simples, tão fácil fluir:
Só parar o pensamento, e deixar o corpo ir
sozinho, em movimento...

(ao que um dia foi o quintal de muitas outras casas... e hoje não é mais quintal de ninguém / e ao novo Quintal de Casa... antes pouco do que sem)
segunda-feira, 27 de abril de 2009
o soneto voador
Vou ter agora com a sorte
deixo o rico, e o que gosta de mim,
desfaço do mais belo e do mais forte
para escolher então assim...
Eu quero hoje o mais à toa,
qualquer um que não me queira tanto...
Qualquer perda que não doa,
para que possa acabar sem pranto.
Quero um que voe bem alto comigo
Nos meus vôos noturnos, ave de rapina
para lembrar que ainda sou menina...
Que seja um homem pássaro, voador!
Que já me cansei desses felinos...
Não sabem ser homens... são apenas meninos...
deixo o rico, e o que gosta de mim,
desfaço do mais belo e do mais forte
para escolher então assim...
Eu quero hoje o mais à toa,
qualquer um que não me queira tanto...
Qualquer perda que não doa,
para que possa acabar sem pranto.
Quero um que voe bem alto comigo
Nos meus vôos noturnos, ave de rapina
para lembrar que ainda sou menina...
Que seja um homem pássaro, voador!
Que já me cansei desses felinos...
Não sabem ser homens... são apenas meninos...
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